Em Cascais, agora também já se come o bife à Café de São Bento

Em Cascais, agora também já se come o bife à Café de São Bento

O Café de São Bento abriu no centro histórico de Cascais uma segunda casa, onde tudo é praticamente igual ao original, desde que o restaurante abriu, há 43 anos, na Rua de São Bento, em Lisboa. O bife com batatas fritas, cujo molho se inspira no clássico bife à Marrare, mantém-se o prato-estrela do menu.

Tal como na Rua de São Bento, em Cascais também é preciso tocar à campainha para entrar e ser recebidos com um sorriso. A cozinha aberta, outra novidade, revela toda a azáfama da equipa, enquanto rapidamente se percebe que a intenção foi replicar a atmosfera intemporal dos cafés clássicos europeus: os painéis de parede em madeira de mogno, os embutidos no chão e nas mesas, os estofos de veludo encarnado e os tampos das mesas de mármore verde Guatemala.

Mais luminosa do que a sala lisboeta, em virtude da varanda, à noite, a sala do Café de São Bento de Cascais ganha uma atmosfera quente e suave, proporcionada pelos candeeiros de mesa com abajures brancos plissados e bases em latão dourado. É neste ambiente clássico que se olha para a carta, enquanto as mãos e o palato se entretêm com o couvert. Inescapável, o bife pode ser pedido sob a forma tradicional (com batatas fritas aos palitos) ou à portuguesa.

Em qualquer uma delas, o cliente pode optar pelo corte do lombo (cuja carne “é mais magra e tenra”, explica o fundador do Grupo São Bento, Miguel Garcia), ou da vazia, que por vezes tem “mais veios”. “Há quem prefira, já que tem um sabor mais forte do que o lombo, e é mais firme”, acrescenta. Em ambos os casos, “têm de se desfazer na boca como manteiga”. Para garantir a qualidade e consistência, o chef e souschef estiveram mais um mês a aprender na casa-mãe.

“Pelas mãos do chef Manuel Fernandes, que trabalha no Café de São Bento há 39 anos, já passaram um milhão e 400 mil bifes. É no restaurante que centralizamos a compra e avaliação da carne que nos chega”, revela o responsável do grupo que detém também o restaurante italiano Corleone – Ristorante al Mare e Bougain – Restaurant & Garden Bar, ambos na vila, e o Snob Bar, em Lisboa, desde dezembro – a que entretanto se juntou também o Bougain Lisboa.

Com a mesa já composta com uma dose de camarões à guilho fritos com alho e malagueta e um tártaro de lombo de novilho temperado como manda a tradição e servido com tostas, Miguel fala sobre o molho. “O segredo do molho, feito à base de natas frescas, é não ser enjoativo. É inspirado no molho do bife à Marrare, que o napolitano António Marrare levou para Lisboa nos finais do século XVIII, e cujos cafés se popularizaram em Lisboa até ao final do século XIX”.

O molho tem-se mantido fiel ao dos primeiros anos da casa lisboeta desde que, em 1982, os fundadores do Café de São Bento partiram em busca da receita original e se propuseram a “aperfeiçoá-la”. No menu, também há, de entradas, foie gras com chutney de maçã, pera e pão torrado, entre outras. Nos peixes, têm lugar bacalhau com natas, batata, noz moscada e queijos gratinados e uma tarte de legumes estufados, brunesa de tomate e azeitonas, rúcula e vinagrete de limão.

As sobremesas dividem-se entre a tarte tatin de maçã, servida quente com gelado de baunilha, leite-creme queimado, toucinho do céu, tarte de lima, “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo” e cheesecake caseiro de frutos vermelhos. Miguel recomenda, também, o laminado de fatias de abacaxi do Brasil com raspas de lima, tendo em conta que “as fibras e a acidez da fruta ajudam a digerir a carne”. Um gole do Tinto Special Cuvée 2021, limitado a 600 garrafas, também pode ajudar.

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